A governança pública no Brasil passa por um movimento relevante de evolução normativa com a publicação da ABNT NBR 17265:2026, prevista para o dia 24 de março de 2026, às 14h.
A norma surge em um contexto de crescente exigência por integridade, transparência e eficiência na gestão pública, alinhando-se a diretrizes nacionais e internacionais que reforçam a importância de estruturas robustas de governança.
Mais do que um referencial técnico, trata-se de um instrumento com potencial de impactar diretamente a dinâmica das contratações públicas e o posicionamento das empresas que atuam nesse mercado.
O que é a ABNT NBR 17265:2026
A ABNT NBR 17265:2026 estabelece diretrizes para a estruturação, implementação, manutenção e melhoria de sistemas de governança no setor público.
Seu escopo tende a abranger pilares fundamentais como:
- liderança e accountability
- gestão de riscos
- controles internos
- integridade e ética organizacional
- transparência e prestação de contas
A norma consolida um modelo orientado à maturidade institucional, deslocando o foco de práticas formais para estruturas efetivas de governança.
Governança pública como critério nas contratações
A Lei nº 14.133/2021 já introduziu avanços relevantes ao incorporar conceitos de gestão de riscos, planejamento e integridade nas contratações públicas.
Com a ABNT NBR 17265:2026, observa-se uma tendência de aprofundamento desse movimento.
Na prática, isso significa que:
- a avaliação de fornecedores tende a considerar não apenas documentação, mas também a consistência de seus sistemas de governança
- programas de compliance passam a ser analisados sob a ótica de efetividade
- estruturas de controle interno ganham relevância como elemento de confiabilidade contratual
Esse cenário indica uma possível evolução dos critérios de habilitação e julgamento, com maior ênfase na capacidade institucional das empresas.
Da habilitação documental à maturidade institucional
Historicamente, a participação em licitações esteve fortemente vinculada à apresentação de documentos de habilitação.
O novo contexto aponta para uma mudança de paradigma.
A governança deixa de ser um elemento periférico e passa a ocupar posição central na avaliação de risco da Administração Pública.
Nesse sentido, empresas que operam com:
- processos não formalizados
- ausência de gestão de riscos estruturada
- políticas de integridade meramente formais
tendem a enfrentar maior dificuldade em demonstrar confiabilidade perante o poder público.
Por outro lado, organizações que investem em governança estruturada passam a ter vantagem competitiva relevante.
Integração com frameworks de compliance e gestão
A ABNT NBR 17265:2026 dialoga diretamente com frameworks já consolidados, especialmente:
- ISO 37301 (Sistema de Gestão de Compliance)
- ISO 9001 (Sistema de Gestão da Qualidade)
- diretrizes da CGU para programas de integridade
- normativas estaduais e requisitos de certificação como CertiGov
Essa integração reforça a necessidade de uma abordagem sistêmica, na qual governança, compliance e gestão de riscos não atuam de forma isolada, mas como componentes interdependentes.
Impactos estratégicos para empresas que vendem ao governo
Empresas que atuam ou pretendem atuar no mercado público devem observar alguns impactos imediatos:
1. Elevação do nível de exigência
A governança passa a ser critério relevante na percepção de risco da Administração.
2. Necessidade de evidência prática
Não basta possuir políticas formalizadas, é necessário demonstrar aplicação efetiva.
3. Aumento da competitividade qualificada
Empresas com maior maturidade institucional tendem a se destacar.
4. Risco de restrição indireta
Organizações com baixa estrutura de governança podem ser preteridas, ainda que formalmente habilitadas.
Como se preparar para esse novo cenário
A adaptação a esse novo contexto exige uma abordagem estruturada e estratégica.
Entre as principais ações recomendadas, destacam-se:
- implementação ou revisão do programa de compliance
- estruturação de matriz de riscos corporativos e operacionais
- formalização de políticas e procedimentos internos
- definição de papéis e responsabilidades em governança
- criação ou fortalecimento de canais de denúncia
- monitoramento contínuo e melhoria dos controles internos
A antecipação dessas medidas permite não apenas conformidade, mas também posicionamento competitivo.
Conclusão
A publicação da ABNT NBR 17265:2026 sinaliza uma mudança relevante no ambiente de governança pública no Brasil.
O movimento é claro: a Administração Pública avança na direção de uma avaliação mais sofisticada de seus fornecedores, priorizando estruturas organizacionais confiáveis, transparentes e alinhadas às boas práticas de governança.
Nesse novo cenário, a governança deixa de ser diferencial e passa a ser requisito.
Empresas que compreenderem essa mudança e atuarem de forma proativa estarão melhor posicionadas para competir e crescer no mercado público.
Sua empresa está preparada para esse novo nível de exigência?
A Paseli Consulting apoia organizações na estruturação de programas de compliance, governança e gestão de riscos alinhados às exigências do setor público e aos principais frameworks normativos.
Entre em contato e realize um diagnóstico estratégico da sua maturidade institucional.
Para mais informações, contate-nos: info@paseliconsulting.com