TECNOLOGIA E CIDADANIA

Um desafio a ser conquistado em parceria

 Vivemos numa era em que o acesso à informação é cada vez mais difundido. As chamadas TI´s (Tecnologias da Informação) revolucionam nossos ambientes de trabalho, nossos lares, assim como nossas atitudes diante de nossos direitos e deveres tais que cidadãs e cidadãos brasileiros. Aparatos e serviços são criados diariamente visando tornar a vida das pessoas mais cômoda e inteligente.

Uma das principais definições de TI (Lévy, 1993) compreende que esta seja o conjunto de dispositivos, serviços e conhecimentos relacionados a uma determinada infra-estrutura, composta por computadores, softwares, sistemas de redes, que de um lado  representa um salto qualitativo em termos de possibilidades tecnológicas e de criação de novas práticas sociais, fomentando novos espaços para  acumulação ou para emancipação dos indivíduos. Mas, se por um lado, a tecnologia vem avançando e produzindo inovações cada vez mais notáveis, por outro elas não estão plenamente disponíveis ao conjunto da população. Na maior parte das vezes, a utilização da tecnologia encontra-se vinculada à satisfação dos interesses de alguns grupos contribuindo, em grande medida, para intensificar processos relativos ao aumento da desigualdade social.

Alguns dados permitem verificar uma distribuição bastante desigual da utilização dos recursos tecnológicos, reproduzindo os principais traços da organização social brasileira. Destacam-se, por exemplo, os números oficiais de um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (2010) que mostra que o número de usuários da internet alcançou a marca de 2 bilhões em 2010.  Considerando que a população mundial é de aproximadamente 6,8 bilhões, é possível dizer que somente uma pessoa a cada três do mundo já navegou na rede. O mesmo relatório indica que a maioria destas pessoas vive nos países que fazem parte da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento e Econômico), ilustrando que a maior parte do acesso mundial à internet concentra-se nos Estados Unidos e no Canadá, sendo que a Ásia, região mais populosa do planeta, detinha apenas 20% dos acessos, enquanto a América Latina, apenas 4%.

Nos últimos anos o governo brasileiro avançou, consideravelmente, frente às tarefas de se utilizar das TI´s em prol do bem estar da população, mas ainda esta muito longe de alcançar números expressivos na implementação de sistemas ou serviços tecnológicos que facilitem e auxiliem a vida dos cidadãos e cidadãs brasileiras. A instalação de GPS nos ônibus que avisam há quanto tempo os mesmos se encontram do usuário; a instalação de aparatos sonoros ou mesmo de máquinas adaptadas para alunos e alunas deficientes; sistemas de transparência nas prefeituras que permitam o acompanhamento das contas públicas; acesso a serviços digitais de boletins de ocorrência eletrônicos junto às secretarias de segurança pública; equipamentos que tragam conforto e bem estar nas unidades de saúde; entre outros, são exemplos de serviços que ainda não estão à disposição da maior parte da população brasileira.

Neste sentido, governos e empresas privadas do setor de tecnologia se apresentam num campo fértil de debate e implementação de serviços e recursos que, efetivamente, venham impactar positivamente, trazendo qualidade de vida aos milhões de brasileiros e brasileiras. Um exemplo disso foi à parceria entre a empresa canadense Humanwear e a consultoria brasileira Paseli. A Humanware é uma empresa especializada no desenvolvimento e produção de tecnologia assistiva, termo ainda novo, utilizado para identificar todo o arsenal de serviços e recursos que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e promover vida independente e inclusão. Nos últimos meses contratou um estudo realizado pela Consultoria Paseli, especialista em pesquisa e venda ao governo brasileiro, que teve como objetivo entender como os recursos destinados à compra de tecnologias assistivas são geridos no Governo Federal brasileiro, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação (FNDE). Neste estudo, a empresa canadense teve acesso a informações detalhadas sobre as diversas formas de participar dos processos de venda ao governo e entender, minuciosamente, quais são os caminhos a serem trilhados para que sua tecnologia chegue até as escolas brasileiras.

A Humanware assim como outras empresas desenvolvedoras deste e outros tipos de tecnologia encontram hoje, no Brasil, um contexto comercial muito favorável em termos de recursos públicos disponíveis, abertura de mercado e alta demanda, para expandirem seus negócios. O grande desafio é fazer com que as informações certas cheguem às empresas interessadas e que estas possam participar de forma concisa, segura e transparente das centenas de pregões públicos realizados no Brasil. Auxiliar as empresas a fornecerem seus produtos de forma eficiente e efetiva é um dos trabalhos oferecidos pela consultoria Paseli. Unir esforços para que os cidadãos tenham acesso aos serviços que lhes tragam qualidade de vida através das novas tecnologias é uma tarefa que deve ser compartilhada entre governos, empresas privadas e cidadãos livres; no Brasil e no mundo.

Escrito por: Ludmila Oliveira de Carvalho – Relações Institucionais –

PASELI CONSULTING

www.paseliconsulting.com

Data: 04/12/2013

Citação: LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.