Crise gerou fenômeno de pais-helicóptero

Crise gerou fenômeno de pais-helicoptero - Blog Paseli

Recente estudo da Universidade de Yale comprova o impacto da desigualdade econômica nas mudanças no estilo de paternidade, com o surgimento e multiplicação dos chamados pais-helicóptero.

A saída de uma situação de estabilidade econômica para a de crise pode ser capaz de gerar pais superprotetores, com alto poder de persuasão e monitoramento intensivo de seus filhos, os chamados pais-helicóptero, que estão sempre girando em torno de suas crias. Em contrapartida, quanto menor a desigualdade, maior o número de genitores liberais na educação. Essa é uma das conclusões dos pesquisadores Fabrizio Zillibotti e Matthias Doepke, dos departamentos de Economia das Universidades de Yale e de Northwestern, respectivamente. Eles defendem que as condições socioeconômicas direcionam o quanto de controle e monitoramento os pais exercem nas escolhas de seus filhos.

Para os pesquisadores, o aumento da desigualdade induz uma mudança intensa no estilo de paternidade, que fortalece o direcionamento das crianças na busca de realizações e de poupá-las de comportamentos arriscados. No estudo intitulado Parenting With Style: Altruism And Paternalism Inintergenerational Preference Transmission, eles definem três grupos principais: os pais autoritários, os autoritativos (helicópteros) e os liberais.

“Apesar de nossa pesquisa se concentrar nos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a atitude dos brasileiros confirma muito bem a teoria. O Brasil é uma economia emergente com notória desigualdade de renda. Os pais em países desiguais tendem a ser mais firmes. E, quando consideramos os dados da mais recente World Value Survey (a Pesquisa Mundial de Valores) encontramos que 55% dos pais brasileiros são autoritários, 35% são autoritativos e menos de 10% são liberais”, diz Zillibotti. “A parcela de liberais é menor que nos Estados Unidos e massivamente menor que na Europa (na Suécia cerca de 75% são classificados como permissivos)”, completa.

Consequências – De acordo com o pesquisador, nas condições desiguais como as do Brasil, os pais com menor nível educacional tendem a se tornar mais autoritários, já que encontram dificuldades em adotar o estilo autoritativo – que requer algumas habilidades sutis, como exercer a persuasão moral. O estilo “helicóptero” então fica entre aqueles que possuem um nível um pouco mais elevado.

Além das causas, a pesquisa ainda analisa o custo da paternidade autoritária ou helicóptero: crianças mais dependentes e menos criativas.

Zillibotti e Doepke estudaram as mudanças nos estilos de criação em diversas sociedades ao redor do mundo a partir da década de 1960 e mediram as diferenças entre os pais dos diferentes países a partir dos resultados da pesquisa World Value Survey – Pesquisa Mundial de Valores, desenvolvida em cerca de 100 sociedades nos seis continentes e que abrange cerca de 80% da população do planeta, desde 1980.

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